Nunca fui como os outros
E nem nunca tive interesse de ser,
Nunca senti o que sentiam
E nem mesmo via o que seus olhos enxergavam.
Amores?
Nunca tive iguais aos deles, sempre tirei de fontes ocultas,
Pois tudo que eu amei, amei sozinho.
Nunca tive ódios em comum
E era uma outra origem da tristeza.
Fui , por anos, como uma luz apagada,
Um sol negro com raios rubros,
A sorte ao avesso, a mentira sincera,
Um bicho acuado, morrendo de medo de um inimigo imagiário,
Como os dias melancólicos de chuva de um depressivo trancado em seu quarto,
Como as mãos que escondem o rosto dos culpados,
Os olhos assustados de todos os oprimidos,
A calma de todo o assombro,
Os passos vacilantes, a agonia...
Quando estou só sei que meu tórax contém um coração demasiado pesado
E demasiado grande para ser abrigado em outro lugar a não ser num peito vazio e dilatado de dor.
Esse peso oculto no fundo dessa prisão de ossos
Dá a cada um de meus impulsos no vazio o doce e mortal sabor da insegurança.
Semidevorado por essa fera implacável,
Procuro ser, em segredo, o domador do meu coração.
Espero nunca ter que te acompanhar nessa longa estrada da vida,
Pois sei que só os seus passos imprimiram marcas nas estradas.
Bruno Stevan